Um fenômeno do Sol está prestes a atingir nosso planeta. Trata-se de uma ejeção de massa coronal ocorrida na última sexta-feira (15) e que deve chegar na Terra nesta quinta (21). Esses tipos de erupções são causadas por uma liberação súbita de energia armazenada nos campos magnéticos da atmosfera solar. Entre os possíveis impactos por aqui, estão flutuações da rede elétrica, mudanças nas operações de satélites e formação de auroras boreais. Mas afinal, o evento dessa quinta traz risco para nós? Para responder essa pergunta o Diário conversou com Vanessa Lorenzoni, doutoranda de Física pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Para entender os possíveis riscos de uma ejeção solar vamos voltar a 1859. Foi em 1º de setembro daquele ano que uma tempestade geomagnética causada por uma ejeção de massa coronal resultou em auroras boreais coloridas com tons de vermelho, verde e lilás que iluminaram a Terra. Mas não foi só essa beleza que chegou ao nosso planeta, a energia recebida foi tão intensa que causou transtornos aos operadores de telégrafos da época. Relatos contam que muitos desses receptores incendiaram e que alguns operadores chegaram a ser eletrocutados.
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Corremos esse risco em 2022? Se não usamos mais telégrafos, nossos celulares e computadores irão pegar fogo? Pode ficar tranquilo, a resposta é: provavelmente não. Apesar de não ser possível advinhar com precisão, diferente do que aconteceu no século XIX, essa ejeção solar não deve atingir a Terra com tamanha intensidade.
É isso o que explica a física Vanessa Lorenzoni. Segundo ela, há no momento um alerta G1 para esse fenômeno, o que significa tempestades geomagnéticas menores, com possíveis pequenas interferências na rede elétrica e pouco impacto nas operações dos satélites.
Nas imagem do satélite Soho, que mapeia os acontecimentos no Sol, é possível ver o momento exato da ejeção.
Mesmo assim, esse fenômeno deve acontecer mais vezes nos próximos anos e isso tem uma explicação. A ejeção solar ocorre basicamente assim: quando há liberação de calor da atmosfera do Sol, o campo magnético que gerou a explosão se reorganiza abaixo da superfície do Sol e acaba arrastando grandes quantidades de plasma solar para fora. A partir disso são dois os cenários possíveis: erupção e ejeção.
– A diferença entre as duas é que as erupções solares são relativamente pequenas e localizadas, ocorrendo na baixa atmosfera solar, perto de manchas solares, onde as linhas do campo magnético estão concentradas e a radiação proveniente de uma erupção leva cerca de 8 minutos para chegar na Terra, pois viaja na velocidade da luz – conta Vanessa.
Já as ejeções de massa coronal, como essa que presenciamos agora, ocorrem em escalas maiores. Elas são formadas por partículas carregadas provenientes do plasma solar e podem levar de horas a vários dias para atingirem a órbita terrestre.
As erupções e ejeções deverão ser mais seguidas porque são ligadas ao ciclo solar, que é um ciclo de aproximadamente 11 anos, e cuja atividade é impulsionada pelo campo magnético do Sol.
– O pico do ciclo solar será em 2024, então por estarmos nos aproximando deste pico, as atividades se tornam mais intensas – completa Vanessa.
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